Givachoice à conquista dos EUA

A presença no Modtissimo foi um primeiro teste para a empresa especializada em confeção de moda de senhora e criança dar mais passos na internacionalização. Com clientes um pouco por todo o mundo, o mercado americano será o foco das próximas investidas.

Fundada em 2012, a Givachoice tem crescido de forma orgânica e chegado a cada vez mais mercados. Apesar de ter uma carteira de clientes abrangente em termos de geografias – da qual fazem parte a Europa, mas também o Canadá e a Austrália –, a empresa, que exporta a totalidade da produção, quer continuar a sua diversificação e as feiras poderão ser um dos instrumentos.

O Modtissimo foi o primeiro passo nesse percurso. «É o primeiro ensaio para nos internacionalizarmos e irmos para fora. Quisemos fazê-lo próximo de casa, habituar as pessoas a estar na feira, perceber como é que a organização tem que trabalhar para estar numa feira. Decidimos correr esse risco o mais perto de casa possível e num mercado que conhecemos», explica Ricardo Almeida, administrador da Givachoice.

Além disso, assegura, «tivemos um crescimento muito grande, estamos a expandir para vários mercados, trabalhamos com clientes de todo o mundo e, neste momento, é também uma questão de afirmação».

Especialista na confeção de vestidos, blusas e calças para senhora e criança, a Givachoice quer afirmar-se «como uma solução de vestuário de alta qualidade em Portugal». Em 2019, a empresa aumentou o volume de negócios para 8 milhões de euros e esperava crescer mais em 2020, até a pandemia lhe trocar as voltas, com dificuldades no aprovisionamento de matérias-primas e o cancelamento de algumas encomendas. «Mas nunca deixámos de trabalhar. Nunca entramos em layoff, tivemos sempre encomendas e continuamos a ter, estamos lotados de trabalho», revela ao Jornal Têxtil. «Agora, a pandemia exigiu muito mais organização, muito mais planeamento, muito mais flexibilidade – foi realmente um teste e veio provar que a nossa estratégia de diversificação de mercados, a não concentração de clientes, é uma aposta segura», salienta Ricardo Almeida.

Aposta nas máscaras

Para compensar a redução de encomendas, a Givachoice enveredou pelo negócio das máscaras, para o qual criou a marca Gmask. «Como houve uma quebra de 25% de encomendas, parte da nossa estrutura de outsourcing ficou sem trabalho. Para essas pessoas não entrarem em layoff, lançámos internamente o desafio de criar uma linha de máscaras. Portanto, inicialmente quem fez as nossas máscaras não foram costureiras: foram modelistas, controladores de qualidade…», aponta. O stock continua à venda online e este «projeto à parte» mantém alguma atividade, recorrendo já ao trabalho de costureiras para cumprir as encomendas e personalizar as máscaras para alguns clientes.

No total, a quebra do volume de negócios em 2020 está estimada atualmente «na casa dos 20%», devendo a Givachoice terminar o ano com 6,5 milhões de euros. «No último trimestre vamos ver se recuperamos alguma coisa», assume Ricardo Almeida, para quem a pandemia trouxe dificuldades, mas também poderá gerar algumas oportunidades. «Será sempre uma purga, quase uma seleção natural. Acredito que quem for sério no mercado, tiver flexibilidade, cumprir prazos de entrega e tiver qualidade será sempre um candidato forte a ficar nesta seleção natural», enumera o administrador, que destaca os nichos de mercado com «muita personalização e serviço ao cliente» como o habitat natural para as empresas portuguesas.

É com estes trunfos, a que se junta um enfoque na sustentabilidade, englobando matérias-primas e diferentes certificações, que a Givachoice, que tem corte, confeção e acabamentos dentro de portas, pretende triunfar no mercado americano, o mais recente alvo da empresa. «Os EUA serão a aposta. Politicamente não estão com tão boas relações com a China e com outros países da Ásia, por isso há que aproveitar essa oportunidade para internacionalizarmos para os EUA», afiança Ricardo Almeida.

Além da internacionalização, os próximos passos da empresa passam pela «valorização do colaborador» e pela expansão da capacidade de armazenagem e de gestão da logística.

Em cima da mesa está ainda o relançamento da marca própria Miclair, vocacionada para um segmento etário entre os 25 e os 45 anos, que começou online e com algumas lojas pop-up em Portugal e França, mas está agora em stand-by. «Temos um projeto de expansão para a empresa e após concluirmos esse projeto, vamos então passar para a marca», resume Ricardo Almeida, apontando para um prazo entre dois a três anos para isso acontecer. «Com isto do Covid, ninguém sabe», ressalva o administrador da Givachoice.

Notícias relacionadas

Últimas notícias

Somelos integra tecidos com proteção UV na coleção

O desenvolvimento, realizado em parceria com a Universidade do Minho, permite ter tecidos finos e leves, feitos em fibras naturais celulósicas e com proteção aos raios ultravioletas. Além de um fator de proteção UPF 50+, os tecidos da Somelos têm características de conforto e uma multiplicidade de cores e padrões.

Robotização na produção de vestuário mais perto

Um projeto tecnológico financiado pelo Advanced Robotics for Manufacturing Institute e que junta a Siemens e a Sewbo deu os primeiros passos para revolucionar a indústria de vestuário, com a capacidade de confecionar uma peça de roupa sem intervenção humana.

Indústria de moda britânica anda às compras

A pandemia fragilizou muitas empresas de moda britânicas, que não tiveram outra hipótese que não submeter pedidos de insolvência ou procurar investidores. Uma oportunidade que está a ser aproveitada pelos players mais fortes, como a retalhista Marks & Spencer, que ontem confirmou a compra da marca Jaeger.

Quer receber as nossas notícias?

Subscreva a nossa newsletter diária e receba as últimas notícias diretamente na sua caixa de e-mail