«Haverá uma relocalização da produção para a Europa»

Alicia Garcia-Herrera, investigadora do Bruegel, analisa o impacto que o Covid-19 tem na globalização. Para a economista vivem-se tempos de grandes mudanças com a relocalização da produção para a Europa, o que pode ser importante para Portugal e Espanha.

Ainda estamos em plena pandemia, mas já se começam a contabilizar as mudanças que o mundo irá sofrer no futuro. Depois do Covid-19, parece que nada mais será como dantes.

A investigadora Alicia Garcia-Herrera do Bruegel, um think tank europeu especialista em economia, analisa, em entrevista à revista Exame, o impacto do novo coronavírus na globalização.

Alicia Garcia Herrera diz que «devemos esperar grandes mudanças», o que adianta «já está a ocorrer e vai acelerar». Para a economista, «vão acontecer duas coisas: relocalização da produção para a Europa, que pode ser importante para a Portugal e Espanha, e [da China] para países como o Vietname». A economista diz mesmo que «achava que este segundo modelo seria o mais usado, mas o coronavírus está a diminuir essas possibilidades».

«Não vai ser tudo relocalizado, mas será mais do que pensávamos», acrescenta.

Para a investigadora do Buegel «o coronavírus força uma desglobalização que será diferente da guerra comercial. Não é apenas um problema de cadeias de valor».

Prosseguindo no mesmo registo, Alicia Garcia-Herrera considera que «estamos a caminhar para uma desglobalização no movimento de pessoas». Uma medida que, acredita, «muitos Governos estavam ansiosos» por começar.

A liberalização tornou o comércio mais livre e com menos tarifas, uma realidade que poderá estar prestes a mudar.  Existiam cada vez menos restrições ao turismo e todos estavam a ganhar com um mundo sem fronteiras, porém, a economista acredita que essa realidade desapareceu.

«Estamos a caminhar para um mundo de menor movimento de pessoas. Estamos em modo de desglobalização. Ponto final. Não só do comércio, mas também de movimento de pessoas. Não o queremos aceitar, mas já está a acontecer», explica.

A especialista do Bruegel, que se tem debruçado extensivamente sobre a economia chinesa, afirma que as empresas já há algum tempo que estavam a pensar em depender menos da China, especialmente os grupos japoneses, taiwaneses e sul-coreanos, e que esta pandemia só veio acelerar o processo.

«A China já estava a perder antes do coronavírus e vai perder ainda mais agora. O risco de excessiva concentração está na cabeça de todos os líderes das grandes empresas», garante Alicia Garcia Herrera.

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