Indústria de moda britânica anda às compras

A pandemia fragilizou muitas empresas de moda britânicas, que não tiveram outra hipótese que não submeter pedidos de insolvência ou procurar investidores. Uma oportunidade que está a ser aproveitada pelos players mais fortes, como a retalhista Marks & Spencer, que ontem confirmou a compra da marca Jaeger.

A conclusão da aquisição da marca de vestuário de senhora clássico deverá ocorrer até ao final deste mês, embora os detalhes não tenham sido divulgados. «Colocamos nos nossos planos vender outras marcas terceiras como parte do nosso programa Never the Same Again para acelerar a nossa transformação e impulsionar o crescimento online», revelou, em comunicado, Richard Price, diretor-geral de vestuário e casa da Marks & Spencer. «Em linha com isso, comprámos a marca Jaeger e estamos nas fases finais do acordo para a compra dos produtos e ativos de marketing relacionados aos administradores da Jaeger Retail Limited», explicou.

A maior parte dos analistas acredita que esta aquisição não incluirá as 75 lojas físicas da marca, que pertenceu ao império de moda Edinburgh Woollen Mill Group, de Philip Day, que entrou em insolvência em novembro. O grupo detinha ainda a Peacocks, a Austin Reed e a Jacques Vert.

A ideia será introduzir a Jaeger – que há vários anos se encontra em dificuldades e em 2017 esteve perto de ser adquirida por um conjunto de credores, incluindo a portuguesa Calvelex – na oferta online da M&S mas Pippa Stephens, analista de retalho, considera que será um desafio para a retalhista convencer os seus consumidores mais velhos a comprar vestuário da Jaeger no seu website. «Os preços premium da Jaeger e foco em vestuário formal dificilmente atrairão os compradores da M&S no atual clima, uma vez que a pandemia de Covid-19 pôs em pausa todos os eventos sociais e a incerteza económica levou muitos a baixar de gama para o mercado de gama média e players de valores mais baixos. Por isso, para tornar esta aquisição um sucesso, a M&S tem de rever a arquitetura de preços da Jaeger e torná-la mais acessível, ao mesmo tempo que criar designs únicos com tecidos sustentáveis vai ajudar os consumidores a melhor justificar os seus investimentos», acrescenta em declarações ao just-style.com.

Corrida pelo Arcadia

As movimentações na indústria de moda britânica não se ficam por aqui. A começar pelas “companheiras” da Jaeger no Edinburgh Woollen Mill Group. A retalhista epónima, fundada em 1947 e especialista em vestuário em malha e artigos para a casa, e a marca Duvetco Limited foram vendidas à Purepay Retail Limited – uma subsidiária de um credor e do Edinburgh Woollen Mill Group, apoiada por um consórcio internacional de investidores –, num negócio que deverá permitir manter 1.453 postos de trabalho e 246 lojas.

Topshop [©Topshop]
Já o Frasers Group, detido pelo bilionário Mike Ashley, poderá, segundo a Forbes, estar ligado à aquisições dos grandes armazéns Debenhams, que entraram em insolvência em dezembro, e também à possível compra de algumas ou todas as marcas do grupo Arcadia, detido por Philip Green.

O grupo Arcadia é, no entanto, um dos mais disputados atualmente, com rumores de diversos players na corrida. É o caso da Next, que estará a establecer uma parceria com a americana Davidson Kempner Capital Management, para apresentar uma proposta de aquisição. A Next estará interessada na Topshop e Topman, enquanto o seu parceiro americano deverá ficar com as outras marcas do Arcadia, como a Miss Selfridge, Dorothy Perkins, Burton, Evans e Wallis

A Next, de resto, expandiu o seu portefólio recentemente com a joint-venture para operar 18 lojas da Victoria’s Secret no Reino Unido, ao mesmo tempo que está a distribuir a marca de lingerie nas suas lojas e online.

Também com o grupo Arcadia na mira estará a retalhista online Boohoo e a Authentic Brands.

De acordo com um estudo da empresa especialista em insolvências Begbies Traynor Group, citado pela Bloomberg, quase 40 mil retalhistas – tanto online como com lojas físicas – estão atualmente com dificuldades financeiras. O número subiu 24% no último ano e 11% desde setembro.

E as expectativas com o novo confinamento são ainda mais negras. «As consequências destas mais recentes restrições – com o retalho não-essencial já fechado durante várias semanas – serão graves para muitos negócios, que mais uma vez podem perder 2 mil milhões de libras [cerca de 2,2 mil milhões de euros] por semana em vendas. Já se perderam 178 mil postos de trabalho no retalho em 2020 e com mais de 250 mil trabalhadores atualmente em layoff, esse número pode aumentar dramaticamente no novo ano», sustenta Helen Dickinson, diretora-executiva da associação de retalho British Retail Consortium em comunicado.

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