ITV perde 500 milhões de euros

Os números revelados hoje pelo INE mostram uma queda de 500 milhões de euros, equivalente a 12,7%, nas exportações de têxteis e vestuário entre janeiro e setembro, resultante sobretudo das perdas nos envios de vestuário. Em termos mensais, os dados apontam para um novo regresso ao vermelho em setembro.

No total, as exportações de têxteis e vestuário baixaram para 3,42 mil milhões de euros entre janeiro e setembro, em comparação com 3,92 mil milhões de euros em igual período do ano passado.

Em termos absolutos, as maiores quebras foram registadas no vestuário, que perdeu 435 milhões de euros de exportações nos primeiros nove meses do ano. O vestuário e seus acessórios, em malha, foi o mais penalizado em termos de valor, com menos 246,5 milhões de euros (-15,4%), enquanto em termos relativos, o vestuário e seus acessórios, exceto de malha, perdeu mais, com uma descida superior a 25% das exportações, equivalente a 188,1 milhões de euros.

«A indústria de vestuário encontra-se numa situação difícil desde o início da pandemia e os números das exportações de setembro vêm comprovar que a recuperação está longe de acontecer», afirma César Araújo, presidente da ANIVEC. «Aliás, convém sublinhar que estes dados ainda não refletem o impacto da segunda vaga de Covid-19 que está a afetar toda a Europa e que vai, com certeza, pesar sobre este sector, que é o segundo mais afetado a seguir ao turismo. O confinamento que está já a ser implementado nos diferentes países vai prejudicar enormemente o negócio e não há qualquer vislumbre de recuperação no horizonte», acrescenta.

Além do vestuário, também as exportações de fibras sintéticas ou artificiais descontínuas (-23,4%, equivalente a menos 49,4 milhões de euros), de tecidos impregnados, revestidos, recobertos ou estratificados com plástico (-16,2%, ou menos 35,7 milhões de euros), de tecidos de malha (-16,6% ou menos 17,3 milhões de euros), de tapetes e outros revestimentos para pavimentos (-26,8%, equivalente a menos 15,8 milhões de euros), de tecidos especiais, que inclui tecidos tufados e rendas (-16,4%, ou menos 13,9 milhões de euros) e de lã (-26,9%, equivalente a 12,3 milhões de euros) estão no vermelho.

César Araújo

Aliás, as únicas categorias positivas são mesmo os outros artefactos têxteis confecionados, onde se incluem os têxteis-lar e as máscaras, com um aumento de 17,4%, equivalente a mais 81 milhões de euros, as pastas (ouates), feltros e falsos tecidos, com um crescimento de 5,4%, o que representa mais 11,3 milhões de euros, e outras fibras têxteis vegetais, com uma subida de 3,45%, equivalente a mais 182 mil euros.

Por mercados, e entre os principais 10 destinos, Espanha regista a maior queda, com menos 25,8%, para 902 milhões de euros, seguida de Itália (-13,3%, para 203 milhões de euros) e Países Baixos (-11,2%, para 153 milhões de euros). Para o Reino Unido, atualmente o principal mercado extra-UE, as exportações caíram 7,1%, para 272 milhões, enquanto para os EUA a descida foi de 8,1%, para 232 milhões de euros.

Pela positiva, destaca-se o crescimento das vendas para França, com uma subida de 7,3%, para 537 milhões de euros, para a Bélgica, com mais 7,6%, para 78 milhões de euros, e para a Dinamarca, com mais 3,9%, para 61 milhões de euros.

Regresso às quedas mensais

Os números revelam ainda o regresso às quedas em termos mensais. Depois de, em agosto, a comparação ter sido positiva (+0,2%), em setembro, e em comparação com o mesmo mês do ano passado, as exportações encolheram 7,1%, para 357 milhões de euros.

Mário Jorga Machado

Também aqui a queda mais acentuada acontece com o vestuário (-11,9%, para 193 milhões de euros), embora haja igualmente uma redução nos envios de têxteis. «As exportações de têxteis, exceto têxteis confecionados, registaram uma quebra de 2,4 milhões de euros (-3,3%) e as exportações de têxteis confecionados obtiveram um acréscimo de 2,3 milhões de euros (+3,7%)», destaca Mário Jorge Machado, presidente da ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, em comunicado.

A associação sublinha o comportamento positivo em setembro das exportações de outros artefactos têxteis confecionados, onde se incluem os moldes para vestuário e as máscaras têxteis, que evidenciaram um acréscimo de 8,9 milhões de euros (+285%), dos tecidos impregnados, revestidos, recobertos ou estratificados com plástico (+9%, ou 1,4 milhões de euros), fios de algodão (+36% ou 1,2 milhões de euros) e tecidos de algodão (+17%, equivalente a 0,85 milhões de euros).

Por países, as comparações mensais espelham o que acontece nos nove primeiros meses do ano, com a queda mais acentuada em Espanha (-14,6%) e números positivos para França (+1,5%), Bélgica (+11,4%) e Dinamarca (+3,9%).

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