Maria Anunciação Fonseca da Costa cresce em 2020

Ainda que «ligeiramente» e com a marca própria Ruanjo em stand by, a empresa Maria Anunciação Fonseca da Costa prevê crescer no exercício em curso, depois de um começo de ano excecional que teve em seguida uma derrapagem brutal, que obrigou ao lay-off parcial em julho, e que agora retoma paulatinamente.

A empresa sediada em Barcelos, que emprega 20 trabalhadores, viu-se obrigada a abrandar a atividade durante o mês de julho, depois de registar uma quebra de encomendas. «Tivemos em lay-off parcial um mês só, de resto estivemos sempre a trabalhar», afirma a CEO Maria Costa ao Portugal Têxtil.

Apesar de ter máscaras certificadas pelo CITEVE, a produtora de vestuário acabou por não se dedicar à fabricação destes equipamentos de proteção por ter outras opções. «Curiosamente, como estava a fazer outros produtos, nomeadamente estava a trabalhar para a Cruz Vermelha na Alemanha, em polos, vestuário e outros produtos, nunca cheguei a fazer máscaras. Quando me pediram estávamos com muito trabalho e eram encomendas que já tinham sido colocadas, porque os meus clientes não desistiram das encomendas», explica.

Investimentos em stand by

Dentro de portas, a empresa faz todo o desenvolvimento de produto, modelagem, corte, confeção e embalamento, o que faz com que, segundo Maria Costa, o investimento em material e maquinaria seja necessário. «Tinha um negócio quase fechado com uma inovação no sistema de corte da empresa e, com isto da pandemia, desisti do negócio, porque achei que era um investimento muito precoce para o ano atual», revela a CEO da Maria Anunciação Fonseca da Costa.

De igual forma, e sem «nunca desistir», o objetivo de reforçar a aposta na marca própria, a Ruanjo, que atualmente segue uma «linha mais desportiva de adulto» e está presente em algumas lojas multimarcas, também foi adiado. «Provavelmente 2021 será um ano também para apostar na marca. 2020 começou mesmo muito bem e, uma vez que estávamos com muitos recursos, aproveitámos a maior parte para desenvolver a marca, para levá-la lá fora e fazer feiras. Entretanto, aconteceu isto e tivemos que parar», admite Maria Costa. «Com tudo isto, temos que fazer uma análise concreta do que vai ser o futuro. Até ao final do ano vamos ponderar como foi este e a partir daí trabalhar 2021, a pensar talvez em marca própria nalguns pontos da Europa», adianta.

Evolução distinta

Neste sentido, o trabalho em private label prossegue como a grande fonte de rendimento da especialista em confeção fundada em 1998. A passagem por feiras como o Modtissimo no Porto e a Pure Sourcing em Inglaterra são elos de internacionalização para este propósito. A Holanda, os EUA e a Inglaterra ocupam atualmente o pódio dos mercados. «Depois fazemos pontualmente Espanha, França, Itália. Um cliente ou outro», acrescenta Maria Costa que denotou diferentes comportamentos nos vários mercados, com Espanha um «bocadinho complicado», aponta.

«Os EUA e Inglaterra foram afetados muito depois de Portugal. Foi o motivo pelo qual continuei a trabalhar, porque, enquanto em Portugal, em março, já estávamos todos preocupados e com as contingências, lá não. Eles deram a ordem que não queriam cancelar [as encomendas], que mantinham e que iam continuar com o processo. Quando aqui já estava a haver uma retoma lá diminuiu porque já estavam com alguns problemas e com lojas fechadas», clarifica a CEO. «O que notei nesses países foi que quando pararam, de facto, pararam, mas, logo de seguida, houve uma retoma e há uma vontade de continuar a trabalhar e não aquele medo que nós temos aqui, no sul da Europa. Na Holanda e ma Alemanha nota-se que querem começar a trabalhar com segurança, com as devidas precauções, sem pânicos, sem medos de continuar», garante.

Embora tenha parado parcialmente a produção durante um mês, as previsões para o volume de negócios de 2020 são de uma subida «ligeira». «O [ano] de 2020 já atingiu quase o volume de negócios de 2019 porque, realmente, nos primeiros meses faturamos quase o dobro. Nos primeiros três meses trabalhou-se muito bem e depois trabalhou-se mal. Penso que o 2020 não vai ser com o volume de negócios abaixo de 2019, pelo contrário», assegura Maria Costa. «Mas não vai ser tanto quanto as expectativas iniciais. É altura de fazermos contas, de olharmos e verificarmos o que é que foi este ano e de que maneira podemos evoluir», sublinha.

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