Portugal com ofensiva no Oriente

Oito empresas nacionais, incluindo a Cordex, a Lameirinho e a Somelos, vão participar, através de uma plataforma digital, na China International Import Expo (CIIE). O certame, que se realiza de 5 a 10 de novembro, gerou na última edição, e num período de um ano, um volume de negócios de cerca de 60 mil milhões de euros.

Além destas três empresas da indústria têxtil, foram escolhidas pela Prosperus Alliance, a empresa de consultoria de banca e investimento designada pelo ICBC – Industrial Comercial Bank of China para coordenar a seleção das empresas portuguesas, o Grupo AGPMeat e a Maporal, da indústria de carnes, a João Portugal Ramos, do universo do vinho, a Mariano Shoes, do calçado, e a agência de viagens Abreu.

«Esta é a feira mais importante em termos diplomáticos e comerciais», explicou à Lusa Luís Cea Prospero, presidente executivo da Prosperus Alliance. «Vai ser a terceira vez que a China demonstra ao ecossistema internacional que também necessita de importar, a balança comercial da China não é só exportações, pois começa a ter necessidade de importar certos produtos, não nos esqueçamos que todos os meses cinco milhões de cidadãos ascendem à classe média», acrescentou.

É nisso que está confiante Luís Ferreira, diretor de marketing da empresa de cordoaria Cordex. «De algum modo, a presença na feira assegura a existência de negócios futuros, uma vez que a CIIE está à procura de fornecedores que neste momento faltam ao mercado interno», afirmou, ao Jornal Económico.

Cordex

O mesmo acontece com a Mariano Shoes, que irá fazer a primeira abordagem ao mercado chinês nesta plataforma. «A Mariano produz calçado de luxo e, neste momento, esse segmento é muito importante na China», justificou Fátima Oliveira, diretora-executiva da All Around Shoes, empresa detentora da marca, que já exporta cerca de 80% da produção. A abertura na China, acredita, «vai permitir o reforço desta quota».

Com um pé em Xangai

As empresas selecionadas vão participar através do marketplace Business MatchMaking (BMM), criada pelo ICBC. «A plataforma assegura a exposição de produto, as negociações por videoconferência e a celebração de acordos ou contratos, ultrapassando as restrições de deslocação impostas pela pandemia», segundo a organização. Além disso, revelou Luís Cea Prospero à Lusa, «temos em Xangai a nossa equipa, que irá reunir-se com potenciais compradores, representando as empresas», assegurando que as expectativas é «que as empresas que selecionámos consigam, até ao final do ano, exportações no mínimo de 200 milhões de euros».

No caso da Lameirinho, «o contacto com a nossa empresa vai ser digital através de uma plataforma que foi preparada para este evento e temos um parceiro local neste mercado que vai expor os nossos produtos no seu showroom e fazer a ponte com o espaço da feira», adiantou, ao Jornal Económico, a diretora de marketing e comunicação Tânia Lima.

A produtora de têxteis-lar está já no mercado chinês e, por isso, o objetivo é reforçar a sua posição. «Sabemos que gostam da qualidade do produto, do design e do posicionamento da nossa marca», apontou Tânia Lima. O digital não é novidade para a Lameirinho que, face à atual situação pandémica, já participou na feira americana Market Week dessa forma, para a qual criou «uma mostra virtual sob o mote “Let’s bring New York to Portugal”. Temos os nossos showrooms bem preparados, com novas propostas, investimos em equipamentos para que o virtual tour pelos nossos showrooms fosse de boa qualidade e com imagem irrepreensível», salientou, na altura, Paulo Coelho Lima, administrador da empresa, ao Portugal Têxtil.

Lameirinho

Atualmente na terceira edição, a China International Import Expo é uma das principais feiras internacionais chinesas, contando com o envolvimento do governo do país. Na edição de 2019, a abertura foi assegurada pelo presidente chinês, Xi Jinping, que se focou na vontade de abrir a economia do Império do Meio. «O mercado chinês é tão grande que deviam vir e ver o que tem para oferecer», convidou. «A China vai abrir os braços e oferecer aos países do mundo mais oportunidades de mercado, investimento e crescimento. Juntos, podemos atingir o desenvolvimento para todos», garantiu. O presidente chinês deverá abrir também esta terceira edição, mas por videoconferência.

No total, a feira deverá ocupar 360 mil metros quadrados – um aumento de 60 mil metros quadrados em comparação com a edição anterior.

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