Têxteis-lar aquecidos da JFA chegam ao mercado

Robes, chinelos, tapetes, toalhas de banho e de mesa são os produtos equipados com a tecnologia de aquecimento inteligente desenvolvida pela JF Almeida, o CeNTI e o CITEVE que deverão chegar ao mercado ainda este ano. A Europa e a América do Norte são os focos para a comercialização.

Os produtos foram desenvolvidos no âmbito do projeto iHeatex, que envolveu as três entidades e um investimento de 692 mil euros, realizado com o apoio do Portugal 2020. De acordo com o comunicado enviado pelo CeNTI, «na base da inovação está a integração, nas estruturas de felpo (o tecido utilizado nos artigos), de fios condutores e sistemas de aquecimento e sensorização inteligentes e autónomos, de forma a que não interfiram negativamente com o utilizador, nem com as propriedades intrínsecas às novas estruturas de felpo, nomeadamente, flexibilidade, maleabilidade, leveza e toque».

Características que tinham já sido explicadas ao Portugal Têxtil por João Almeida, administrador da JF Almeida, durante o desenvolvimento do projeto. «Por exemplo, estamos a desenvolver um robe que tem fios condutores e uma pequena bateria. Quando a pessoa se limpa, esses fios condutores reagem e isso faz com que aqueça o felpo e seque mais rápido, além de conferir conforto. Estamos também a desenvolver uns chinelos em felpo em que a bateria está ligada e depois de desligar, durante bastante tempo, os chinelos mantêm-se quentes», revelou na altura.

Juliana e João Almeida

Já com os protótipos desenvolvidos, a ideia será lançar efetivamente os produtos no mercado ainda em 2021, com o foco no mercado internacional. «O mercado-alvo dos novos produtos será abrangente, mas especialmente direcionado para estabelecimentos de hotelaria/spas e também para uso comum no lar, explorando nichos de mercado com elevado poder de compra e mercados em ascensão, nacionais e especialmente internacionais, nomeadamente a Europa e América do Norte», refere o comunicado do CeNTI.

O que vai ao encontro das expectativas da empresa de têxteis-lar, que esteve a estudar o mercado. «Fizemos um inquérito a todos os nossos clientes. Há aqueles clientes de grandes superfícies a quem não interessa esse tipo de produto, porque é caro. Por isso estamos a começar a entrar em nichos de mercado que tenham interesse. Não temos um mercado efetivo – sabemos que o mercado francês usa, gosta e consome esse tipo de produtos. Mas se calhar vai ser uma linha só para venda online. Tudo depende do preço final que vai ter», apontou em 2019 João Almeida.

À espera de um bom ano

Fundada em 1979, a JF Almeida tem uma produção vertical, abrangendo a fiação, com uma capacidade instalada de 850 toneladas/mês, a tecelagem, com uma capacidade de resposta mensal de 450 toneladas, tinturaria e acabamentos, com uma capacidade mensal de 1.100 toneladas, e uma confeção capaz de produzir 60 mil peças por dia.

A empresa, que tem vindo a apostar na inovação, mais recentemente com o tingimento sustentável Infusion, apresentado no final do ano passado, emprega 598 pessoas, às quais concedeu um aumento de 35 euros, elevando o salário mínimo na empresa para 700 euros. «É necessário apostar nos colaboradores e manter as pessoas motivadas neste período difícil», justificou, ao Dinheiro Vivo, a administradora Juliana Almeida.

Em 2020, a JF Almeida registou uma queda de 4% no volume de negócios, para cerca de 40 milhões de euros. «Foi um ano bom dentro desta crise. O Covid fez-nos olhar para dentro da estrutura, ver o que podíamos fazer em plena crise e conseguimos moldar-nos, fazendo outro tipo de produtos para outras áreas. Às vezes as crises trazem coisas boas às empresas», indicou a administradora ao Jornal Têxtil, adiantando que a expectativa para 2021 é de «um bom ano».

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