Torcato: a nova marca de Inês

É com conceitos bem definidos de paridade e rastreabilidade que Inês Torcato criou uma marca nova para melhor explorar a vertente comercial do negócio. Batizada Torcato, já apelido de uma dinastia familiar do planeta moda, a marca estreia-se no dia 22 de dezembro no universo digital.

As experiências com compras de vestuário online durante o confinamento, fizeram com que Inês Torcato detetasse um problema: a falta de identificação. Este foi o ponto de partida para a designer de moda desenvolver o novo projeto, que tem como objetivo ser mais inclusivo.

«A intenção do website tem a ver com a minha experiência da pandemia. Tentei comprar roupa e não senti identificação com as imagens que via no Internet. Acho que isso falta em todo o lado, principalmente em Portugal, onde a grande maioria da população não tem as medidas», explica ao Portugal Têxtil. «Vou trabalhar agora nesta marca, ter as peças fotografadas em vários tipos de corpos diferentes, ter pessoas que vão de tamanhos pequenos a tamanhos grandes, homens e mulheres se se aplicar na peça em questão, porque uma parte será sempre sem género. Outras, por força dos cortes, terão que respeitar um tipo de corpo, mas tentar, sempre, que as peças sejam fotografadas em corpos diferentes e apresentar uma tabela de medidas para todos os tamanhos daquela peça», afirma.

Inês Torcato vai, contudo, manter as duas marcas, a epónima e a nova, a grande novidade revelada na última edição do Portugal Fashion. «A parte mais comercial é a Torcato, enquanto a Inês Torcato serve para projetos especiais. Vai funcionar mais para edições limitadas, projetos por medida e esse tipo de coisas», revela.

A Torcato representa, assim, uma vertente mais comercial, cujo o público-alvo, de igual modo que a marca epónima, «é para toda a gente». «Gosto de acreditar que é toda a gente nas duas. Esse é o objetivo, principalmente agora, neste trabalho mais focado na parte comercial da nova marca, ainda mais penso nisso porque a roupa, no fundo, temos que nos sentir bem com aquilo que estamos a usar, é a nossa primeira imagem para o mundo», considera a designer.

Comunicar com transparência

Apesar de conferir uma identidade a cada individuo e sustentar outros conceitos como o sem género e a igualdade, a Torcato pretende ir para além da moda e difundir muitas outras mensagens como é o caso da sustentabilidade. «[A marca] tem a ver com a parte da igualdade e de abraçarmos as diferenças que temos uns para os outros, sermos todos iguais dentro das nossas diferenças. E depois também junto com uma parte de responsabilidade social para com o planeta, o que, para mim, também é muito importante porque acho que temos algumas obrigações para com os outros», assume.

Inês Torcato

Neste sentido, a origem dos materiais que constituem as peças é um dos aspetos que estará visível no website da Torcato, que tem estreia marcada para o dia 22 de dezembro, coincidentemente a data de aniversário da designer. «Quero ser mais transparente na parte da sustentabilidade porque já que a estou a comunicar quero cumprir aquilo que comunico. Se estou a dizer que tenho uma marca que vai tentar ao máximo cumprir essa parte do desperdício e dos materiais com origens mais sustentáveis, quero que isso seja transparente e visível para quem vai ao website e perceba de onde veio aquela peça», adianta Inês Torcato. «É importante a atenção ao desperdício. Muitas vezes, claro que os materiais orgânicos, no final de vida, vão ter um impacto ambiental menor e os reciclados já estão a aproveitar coisas, mas o mais importante é o local, é estarmos a comprar coisas e a consumir produtos que são pensados localmente. Para mim é importante procurar esses materiais, mas que sejam produzidos cá, tentar ao máximo chegar à origem daquilo que estou a fazer», destaca. «Mesmo que não tenha acesso aos orgânicos, se conseguir produzir coisas com stocks de empresas, já estou a ajudar a diminuir o desperdício que vai existir», acrescenta.

Bons básicos e não só

Mas nem só de vestuário se irá compor a nova loja online, que terá uma coleção permanente de básicos e vai contar com várias coleções limitadas que vão aproveitar os stocks excedentes das empresas para, desta forma, combater o desperdício e, em simultâneo, fomentar o fator exclusividade. «Vou ter uma parte contínua de coleção, ou seja, quero criar bons básicos com cortes diferentes dos básicos que estamos habituados a comprar, por exemplo, a t-shirt branca não vai ser uma t-shirt com o mesmo corte que compramos noutro sítio qualquer, porque é um molde estudado para se adaptar a vários tipos de corpo. Depois vou ter sempre uma secção no website de projetos especiais, edições limitadas todas numeradas e essas edições podem ser de qualquer coisa_ roupas, sapatos, tudo…», desvenda Inês Torcato.

[©Portugal Fashion]
A concretização desta nova marca soma mais uma etapa ao percurso da criadora que, embora tenha as duas marcas próprias e tenha desenvolvido outras iniciativas, como a criação de um guarda roupa para uma peça de teatro na Eslovénia, trabalha também como freelancer para outras marcas e projetos, além de ter loja própria no Porto, onde as «vendas baixaram muito» com a pandemia de Covid-19. «Foi muito difícil. Tudo fechou, ninguém queria avançar com nada. Tinha projetos que estavam a andar e foram cancelados. Para além de ter ficado sem trabalho, fiquei sem rendimento naquela altura, porque parou tudo. Eu não tinha uma loja online bem estruturada ainda e também não conseguia dar grande rendimento nessa parte», conta Inês Torcato. «Logo no final do confinamento. quando foram levantadas as medidas, voltou o trabalho todo e voltou mais ainda. Foi incrível, começaram a aparecer mais coisas. Acho que as pessoas nas empresas também tiveram tempo no confinamento, que normalmente não têm porque a têxtil é uma indústria muito rápida, para pensar em restruturações que se calhar já há muito queriam fazer, mas não conseguiam dedicar-se aquilo. Começaram a surgir coisas novas, ideias novas e isso para mim foi muito bom. Fiquei cheia de trabalho logo a seguir ao confinamento», garante.

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