Vestuário recupera em 2021

A chegada das vacinas para combater o SARS-CoV-2 pode possibilitar a concretização de eventos e impulsionar a procura reprimida que se tem vivido com a crise pandémica, tornando, assim, «2021 um bom ano para o vestuário», vaticinam especialistas do sector.

Lorraine Hutchinson, analista do Bank of America considera, dada a situação sem precedentes, que os investidores vão comparar 2021 a 2019 e não a 2020, que foi muito impactado pelo coronavírus.

Segundo a analista, que abarca marcas de retalho, vestuário e acessórios, as informações dos proprietários de cartões de crédito e débito indicam que as vendas totais da quadra natalícia aumentaram 2%, com o athleisure e o vestuário confortável a liderarem as categorias nos presentes dados. Já em crescimento, Lorraine Hutchinson prevê que o comércio eletrónico ganhe ainda mais importância, acelerando esta tendência que, provavelmente, vai provocar o encerramento de mais lojas físicas.

No que diz respeito ao vestuário, a analista do Bank of America antecipa que, depois de um ano a trabalhar com leggigns, sweaters e roupa confortável, o segmento formal terá de evoluir quando os consumidores regressarem aos escritórios. «Os consumidores querem mais das suas roupas. Acreditamos que o vestuário para o trabalho terá de ser mais funcional no futuro», assegura Lorraine Hutchinson, citada pelo Sourcing Journal, destacando que o retalho off-price sairá também beneficiado. «Os consumidores disseram que estão ansiosos para voltar às lojas e, no meio da pandemia, mostraram entusiasmo pelo formato caça ao tesouro que faz parte do modelo de off-price», clarifica.

Um painel de especialistas do mercado imobiliário abordou a atividade de arrendamento nos centros comerciais, apontando para o facto das operadoras estarem a avaliar como é que os consumidores vão definir conveniência neste novo ano. Com muitos funcionários em regime de teletrabalho por causa da pandemia, as operadoras dos centros comerciais estão também a acompanhar o cenário de desurbanização e o que isso pode significar no futuro destes espaços.

Futuro de conveniência

Mary Rottler, vice-presidente executiva de operações e leasing da Seritage, o fundo de investimento imobiliário do centro comercial formado a partir de certos ativos imobiliários da antiga Sears Holdings Corp., revela que a empresa adotou uma visão a longo prazo, no ano passado ao cooperar com os respetivos arrendatários para tentar «acomodar tudo o que pudéssemos» no primeiro impacto do Covid-19.

[©Freepik]
Apesar do primeiro semestre de 2021 se estar a parecer com 2020 até ao momento, as projeções daquilo que será a procura no final do ano dá à empresa motivos para estar «bastante otimista na segunda metade» do ano, antevê Mary Rottler que adianta que muitos dos arrendatários estão a tentar perceber o futuro da loja e isso passa por olhar para a conveniência, mapeando como será o percurso de compras dos consumidores. «Os [consumidores] vão trocar as vendas de entrega ao domicílio para regressarem à loja?» questiona.

Lisa Palmer, presidente e CEO da Regency Centers, explica que a empresa está a estudar novas formas de leasing, notando que a procura mais forte está nos mercados com menos restrições. «O que mais nos entusiasma com o nosso portfólio é a desurbanização da América», avança a especialista, acrescentando que o movimento de teletrabalho vai transformar os centros comerciais em destinos locais, à medida que os consumidores vão para os consultórios médicos, bancos e clínicas veterinárias.

Já Rachel Elias Wein, fundadora e CEO da Wein Plus, realça a problemática do encerramento dos restaurantes, que obriga a que os consumidores tenham de cozinhar e, consequentemente, passem a estar mais aptos para economizar dinheiro, tendo, por isso, um poder de compra adicional para as retalhistas não essenciais, como é o caso do vestuário. Neste sentido, as opções de serviços de drive-throughs vão aumentar com a implementação de normas mais restritivas. Rachel Elias Wein antecipa ainda que o retalho off-price saia vencedor de todo este cenário, estimando grandes gastos para a segunda metade de 2021, principalmente em viagens, lazer e vestuário. Com os preços mais flexíveis, as retalhistas, que não podiam gastar tanto nas rendas, podem agora ter lojas em pontos estratégicos das cidades que antes não conseguiam suportar.

Por seu lado, Chris Benjamin, presidente e CEO da imobiliária Alexander & Baldwin, confirma muitas destas previsões, nomeadamente o aumento dos serviços drive-throughs, acelerando a tendência já em curso, assim como dos serviços de entrega e recolha de produtos, mesmo no pós-pandemia.

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